
O molusco contagioso é uma infecção viral da pele causada por um vírus da família dos poxvírus. É muito comum na infância, principalmente entre os 2 e os 10 anos, mas também pode aparecer em adolescentes e adultos. Apesar do nome assustar, costuma ser uma condição benigna, que o organismo acaba eliminando com o tempo.
Como reconhecer
As lesões são pequenas bolinhas (pápulas) firmes, arredondadas, da cor da pele ou esbranquiçadas, com aspecto perolado. O sinal mais característico é uma pequena depressão no centro, a chamada umbilicação.
- Costumam medir de 2 a 5 milímetros.
- Podem aparecer isoladas ou em grupos, em qualquer parte do corpo.
- Em crianças, são frequentes no tronco, nas axilas, nas dobras dos braços e das pernas e no rosto.
- Em adultos, quando aparecem na região genital, podem ter sido transmitidas por contato íntimo.
- Às vezes a pele ao redor fica vermelha e com coceira, como um eczema.
O diagnóstico costuma ser clínico, feito pelo exame da pele. A dermatoscopia ajuda a confirmar quando há dúvida.
Como o molusco se espalha
O vírus passa pelo contato direto com a pele de quem tem as lesões ou por objetos compartilhados, como toalhas, esponjas e brinquedos. Também é comum a autoinoculação: ao coçar ou manipular uma lesão, a criança leva o vírus para outras áreas do próprio corpo.
Algumas medidas simples ajudam a reduzir a transmissão:
- Evitar coçar, espremer ou arrancar as lesões.
- Não compartilhar toalhas, roupas e objetos de banho.
- Manter as lesões cobertas com roupa ou curativo em atividades de contato, como esportes e piscina.
- Lavar as mãos depois de tocar nas lesões.
Precisa tratar?
Em muitas pessoas saudáveis, o molusco some sozinho, mas isso pode levar de alguns meses a mais de um ano. Por isso, a decisão de tratar é individual. O tratamento costuma ser indicado quando:
- há muitas lesões ou elas continuam aumentando;
- as lesões incomodam, coçam ou inflamam;
- a criança não para de mexer e o quadro se espalha por autoinoculação;
- há risco de transmissão para irmãos e outros contatos;
- as lesões estão na região genital em adultos.
Entre as opções estão a curetagem (remoção mecânica das lesões, feita no consultório), a crioterapia e substâncias aplicadas sobre as lesões. A escolha depende da idade, do número e da localização das lesões e do conforto do paciente, e deve ser feita em consulta.
Quando procurar avaliação
- Lesões perto dos olhos ou nas pálpebras.
- Lesões numerosas, que não param de surgir, ou com vermelhidão, dor e secreção.
- Adultos com lesões extensas, recorrentes ou na região genital, situação em que vale avaliar o contexto clínico e outras infecções sexualmente transmissíveis.
- Pessoas com imunidade baixa.
- Dúvida sobre o diagnóstico: outras lesões podem se parecer com o molusco.
Perguntas frequentes
Criança com molusco pode ir à escola?
Em geral, sim. O molusco não exige afastamento da escola. O cuidado é cobrir as lesões que ficam expostas e evitar o compartilhamento de toalhas e objetos.
Pode ir à piscina?
Pode, desde que as lesões estejam cobertas e a toalha não seja compartilhada. A piscina em si não é a principal forma de transmissão, e sim o contato pele com pele e os objetos em comum.
O molusco volta depois de tratado?
Novas lesões podem surgir enquanto o organismo não elimina o vírus, por isso às vezes é preciso mais de uma sessão. Depois que a infecção se resolve, é incomum que volte.
Espremer as bolinhas ajuda?
Não. Espremer pode inflamar a pele, deixar marcas e espalhar o vírus para outras áreas.
Referências
- Sociedade Brasileira de Dermatologia: Molusco
- American Academy of Dermatology: Molluscum contagiosum
- DermNet: Molluscum contagiosum
Onde ter uma avaliação: a Dra. Roberta Sayuri atende em consulta nas unidades de Guaianases (São Paulo), aos sábados, e de São José dos Campos, às sextas-feiras. Saiba mais em cuidados com a pele e curetagem de molusco contagioso.
Este artigo amplia um conteúdo publicado no Instagram da Dra. Roberta Sayuri.